
«somos o escárnio da Europa!» (Frase de 1879)
Se há alguém que tão bem escreveu e descreveu a nossa sociedade do século XIX (leia-se DEZANOVE), esse alguém foi Eça de Queirós. A verdade é que o escritor não se limitou a descrever a sociedade portuguesa de há quase um século e meio atrás, ele arranjou maneira de descrever (só quero acreditar que sem intenção) a sociedade portuguesa, tal e qual como ela é nos dias que correm. Bravo Eça! Acredito que nenhum profeta no mundo se acercasse de tal feito.
Apesar do Conde D'Abranhos se apresentar como uma crítica perspicaz ao político medíocre, desprovido de escrúpulos (e de ideias, como é óbvio), bajulador e irritante, o escritor arranjou maneira de lhes reconhecer (à classe política), tal e qual como eu, algumas virtudes, tais como as de “mentirosos”, “incompetentes”, “oportunistas”, ou “traidores sem escrúpulos”.
O manuscrito do romance tem por data mais provável 1879, mas o livro foi editado pela primeira vez em 1925, um quarto de século depois da morte do autor.
Por incrível que pareça o escrito ficou guardado por muitos anos, pois Ramalho Ortigão acreditava que a novela humorística – O Conde D'Abranhos era um pouco carregada para época.
Talvez o fosse, a verdade é que hoje em dia, a descrição de Eça de Queirós parece ser mais a regra do que a excepção. Assistimos a políticos cuja integridade intelectual e humana não chega para quem eles deveriam governar – Nós. Somos governados por uma verdadeira horda de mal intencionados e clientelas políticas que tomaram de assalto o Estado Português. E o pior é que nem eles na sua insipiência se dão conta daquilo que estão a fazer, ou melhor, a deixar de fazer.
“Acreditar que tudo é mal também é negar o bem que existe já em nós. E se ele existe em nós isoladamente, pode subsistir em sociedade. Certamente a apatia deve ser um sentimento que não devamos cultivar.” In: http://hiltonmeirelles.blogspot.com/2006/03/o-conde-dabranhos-ea-de-queiroz.html
Infelizmente há coisas nas quais eu já deixei de acreditar. Somos todos engolidos por gente desprovida de qualquer integridade humana e/ou moral para fazer o que quer que seja, quanto mais comandar uma nação.
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